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Dicas em acústica de ambientes

Como melhorar a Acústica de um Estúdio de Música

Ter o melhor equipamento de som na maioria das vezes não é suficiente para a acústica de um Estúdio ser a melhor possível. Outros elementos do ambiente são extremamente influenciadores e isso acaba frustrando as pessoas que não têm o conhecimento técnico da área. Por isso, podemos dizer com certeza que esse artigo será um divisor de águas para você em seu entendimento sobre o assunto e o ajudará na hora de fazer ajustes em seu estúdio.

Figura 1: Estúdio de Música

Por onde posso começar?

Primeiramente é interessante e necessário que você conheça os conceitos básicos da acústica. São eles, isolamento acústico e condicionamento acústico. Você encontra exemplos e a definição de cada um na matéria anterior “Isolamento ou Condicionamento Acústico: saiba a diferença dos termos.”.

Como ter um bom isolamento em meu estúdio?

Assim como já comentado na outra matéria do nosso blog “Isolamento ou Condicionamento Acústico: saiba a diferença dos termos.”, quanto maior a massa e estanqueidade do elemento, maior o isolamento do sistema. Em um estúdio, seja em uma casa ou em um apartamento o isolamento servirá para: não ter fuga de som entre as salas, na existência de uma sala de controle, e evitar qualquer confusão com os vizinhos, podendo utilizar os espaços livre de impedimentos.

Desta forma, paredes, portas, janelas, piso, telhado, todos os sistemas, em conjunto (porque na acústica, nada funciona sozinho) devem fornecer o isolamento necessário.

Vamos então por partes.

Paredes – O ideal será então, ter um sistema de paredes robusto, pesado, podendo ser um bloco mais espesso, a utilização de uma tipologia de blocos estruturais, o preenchimento das cavidades destes blocos com um material poroso (absorvedor) ou algo pesado também como graute e cimento.

Figura 2: Opções Isolamento, alvenarias e drywall
Recording Studio Design with Omid Bürgin – http://www.omidburgin.com/index.html

Outras opções também são a criação de paredes duplas, com espaçamento entre elas e paredes em drywall, ajudando também no isolamento de vibração, que é causado principalmente pelas ondas graves (baixa frequência).

Figura 3: Isolamento vibração, Paredes Duplas e Sistemas Mistos
Recording Studio Design with Omid Bürgin – http://www.omidburgin.com/index.html

Portas e Janelas – Conhecidos como os vilões do isolamento, as esquadrias geralmente são o ponto frágil de uma sala. De nada adianta ter todo o sistema bem alinhado e ter uma esquadria de pouco isolamento. Para portas, folhas maciças, batentes emborrachados, guilhotinas de piso (veda-porta), ou mesmo um sistema de portas duplas e antecâmaras, podem ser boas opções.

Para janelas e vidros fixos é interessante primeiramente que a caixilharia seja boa. Fabricantes de janelas de PVC e alumínio já possuem uma gama bem interessante de caixilhos até mesmo com laudos de desempenho acústico. No caso de vidros fixos, há opções no mercado de vidros laminados, insulados e até mesmo tecnologias como câmara com gás (argônio). Mas dentre elas os vidros laminados tem se mostrado uma solução com bom custo benefício.

Figura 4: Diferentes Tipologias de Vidro
Desempenho Acústico de Vidros – Ca2 Consultoria – https://ca-2.com/desempenho-acustico-de-vidros/

Lajes e Coberturas – Se você está pensando em criar um estúdio em um apartamento, essa dica é pra você. Existem diversos tipos de lajes, com maior e menor isolamento, mais espessas e mais esbeltas, de qualquer forma é necessário avaliar caso a caso. Um ponto em comum é que estes divisores estruturais conduzem o ruído de vibração muito bem e a intenção é evitar que isto ocorra. Para tanto precisamos criar uma barreira, tal qual dissipe o ruído e reduza a intensidade desta condução.

Uma das soluções possíveis se chama “Piso Flutuante”, que nada mais é que a criação de um novo piso acima do existente, separados por um elemento resiliente (flexível). Isso pode ser feito com mantas acústicas de contrapiso, bases em borracha posicionadas com espaçamento e sobrepostas por um piso contraplacado (chapas cimentícias, OSB, entre outros materiais) e tablados acústicos. Existem também outras soluções mais profissionais que são calculadas e dimensionadas conforme a necessidade do projeto.

Figura 5: Sistemas Anti-vibração
Recording Studio Design with Omid Bürgin – http://www.omidburgin.com/index.html

As coberturas são uma fragilidade indiscutível, difíceis de vedar, geralmente construídas com materiais esbeltos. Até mesmo as chamadas telhas termo acústicas muitas vezes não vão ter o isolamento suficiente para o um alto nível de pressão sonora. Nestes casos um forro reforçado vem bem a calhar.

Como ter um bom condicionamento?

A qualidade acústica interna de um estúdio creio ser o protagonista desta empreitada. Aí que vem o problema, não é tão fácil alcança-la.

Os pontos a serem observados neste estudo são: Reverberação da sala, Distribuição e espalhamento das ondas sonoras por frequências, Acústica Modal (fatores de cancelamento ou picos de intensidade de ondas) e diferenças de nível de pressão de acordo com o tempo (Claridade e Definição, vocal e musical). Como este não é um artigo técnico, vamos tentar simplificar um desmistificar os conceitos básicos. Vamos lá.

Reverberação: Tecnicamente significa o tempo médio de decaimento do som em 60 dB dentro de um recinto. Conceitualmente é o tempo que o som leva para morrer dentro de uma sala, isso significa que depois de emitido (por um alto falante, uma voz, um instrumento) esse som tende a permanecer, refletindo dentro da sala, por um certo período de tempo. Para estúdios no geral é interessante que tenhamos um baixo tempo de reverberação, para que o som produzido não fique “embaralhado” dentro da sala.

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Para conseguir manter esta reverberação reduzida precisamos de materiais e elementos que consigo absorver o som. Uma pequena lista: tecidos, espumas, revestimentos perfurados, algumas tipologias leves de madeira, Lãs Minerais, Aglomerados Minerais e as próprias pessoas. Cada um possui coeficientes de absorção diferenciados para cada frequência sonora, mas não entraremos neste quesito. Estes materiais devem ser dispostos (se possível uniformemente) dentro da sala mas é necessário observar se não há absorção “demais” e a sala ficou “sem vida”.

Figura 6: Absorvedores Acústicos
Universal Acustics – http://www.universal-acoustics.com/

Espalhamento – As ondas sonoras refletem como bolinhas de borracha atiradas contra uma superfície, retornando sempre na direção oposta à que foi atirada e com menor intensidade. Precisamos ter dentro de um estúdio, principalmente de ensaios, um bom espalhamento para que esse som seja ouvido por todos os integrantes, por isso buscamos fugir de superfícies paralelas e cantos em 90˚.

Quanto mais recortada e cheia de superfícies em direções alternativas melhor é o espalhamento dentro do ambiente. Existem elementos chamados difusores sonoros, que são criados com esta função. Em um projeto avaliamos quais as direções, inclinações e como queremos que as reflexões cheguem em cada um dos pontos da sala.

Figura 7: Difusores Acústicos e Fontes Sonoras
Room Setup Acoustic Treatment – Arqen – http://arqen.com/acoustics-101/room-setup-acoustic-treatment/

Fator de Ganho/Força (G) – Aqui entra a “vida” da sala. O fator de ganho nada mais é que o potencial que esta sala tem de amplificar o som produzido nela mesma. Este fator é “um pouco” oposto à Reverberação. Quanto menor a reverberação, menor o fator de ganho, mas é aí que vem o segredo, é possível termos os dois. O fator de ganho vem para auxiliar principalmente os músicos à ouvirem e sentirem seus próprios instrumentos.

Em um projeto criamos e definimos posições para os chamados refletores acústicos, mas em base o que é possível fazer é dispor os elementos absorvedores não tão próximos aos músicos, deixando algumas poucas superfícies refletoras para que ele consiga tirar a sonoridade necessária do seu instrumento, o mesmo vale para os alto-falantes, estas reflexões trazem mais naturalidade ao som emitido (isso pode ser bom ou ruim, dependendo do paladar do próprio músico).

Quais os demais cuidados necessários?

Alguns itens importantes que também devemos citar…

Layout e Posicionamento – Tão importante quanto os outros itens citados nesta matéria a criação de um Layout Propício para acústica funcionar neste espaço é um fator crítico.

Quando falamos de um estúdio de ensaios com instrumentos existem algumas técnicas básicas de posicionamento que auxiliam na organização e acústica do espaço. A percussão grave (baterias, tambores, duduns, cajons e outros) tem seu posicionamento mais propício ao centro da sala. Já guitarras e violões são mais indicados aos cantos e o vocal em um ponto lateral mediano, mais afastado de outros instrumentos.

Figura 8: Técnica de Posicionamento Ensaios
Recording Techniques for Home Studios – http://www.omidburgin.com/index.html

Para produção musical eletrônica, masterização e outros formatos de audição e reprodução mecanizada é interessante que os falantes tenham certo afastamento das superfícies para evitar o cancelamento de algumas frequências pelo efeito SBIR (Speaker Boundary Interference Response). Um afastamento ideal segundo alguns estudos feitos seria de 38% do maior comprimento da sala e centralizado na menor distância.

Figura 9: Técnica de Posicionamento Mesa e Fontes
Room Setup Acoustic Treatment – Arqen – http://arqen.com/acoustics-101/room-setup-acoustic-treatment/

Técnicas de microfone também devem ser observadas para cada aplicação e cada tipo de reprodução, mas como são muito abrangentes não vamos citá-las nesta matéria.

Sonorização e Microfones – Os equipamentos utilizados devem ser de qualidade. Na gravação e reprodução de uma gama de frequências adequadas para a finalidade. A combinação de acústica e equipamentos.

Como é feito um Projeto Acústico de um estúdio?

Em um projeto real os consultores utilizam sua experiência para avaliar caso a caso, identificando o objetivo do cliente e a situação atual do local a ser projetado ou adequado. Posteriormente fazemos todas as análises através de cálculos específicos, softwares de simulação acústica, avaliando dos os critérios e cenários pertinentes.

Figura 9: Técnica de Posicionamento Mesa e Fontes
Room Setup Acoustic Treatment – Arqen – http://arqen.com/acoustics-101/room-setup-acoustic-treatment/

Por fim, alinhamos as soluções e possibilidades de acordo com expectativa, estética e orçamento do cliente e dimensionamos estes sistemas, nos mínimos detalhes.

Figura 11: Simulação Computacional – Scala Acústica

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