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Dicas em acústica de ambientes

Isolamento acústico para laje

Conheça a técnica de contrapisos flutuantes

Com a entrada em vigor da Norma de Desempenho, ABNT NBR 15575-3:2013, houve uma grande movimentação com relação aos critérios de desempenho acústico em edificações residenciais, em especial o critério para avaliação do isolamento ao ruído de impacto em pisos por sua relevância demonstrada pelas frequentes reclamações de moradores de apartamentos.

Figura 1: Festa no pavimento superior com várias pessoas usando salto alto.
Fonte: ArcoWeb – Projeto Design, Edição 401

Os sistemas de pisos, que separam unidades habitacionais autônomas em diferentes andares, devem garantir um desempenho adequado de isolamento acústico aéreo (conversações, TV, música, etc.) e de isolamento acústico ao ruído de impacto (passos, queda de objetos, arrastar de móveis, etc.).

Esses sistemas de pisos estão compostos pelos elementos de camada estrutural (laje) e elementos opcionais (contrapiso, revestimentos, camadas intermediárias).

Figura 2: Composição de elementos de sistemas de pisos.
Fonte: Dicas do Novo Apê

Como ocorre a transmissão de ruído em pisos?

A transmissão de ruído de impacto entre duas unidades habitacionais sobrepostas em uma edificação se produz através do próprio sistema de piso (transmissão direta) e os elementos laterais ou paredes (transmissão indireta). Essas transmissões dependem das propriedades das soluções construtivas e das uniões entre elas.

Sua propagação é resultante de uma ação de choque físico por impacto, ou atrito de elementos sólidos sobre a superfície do piso de uma edificação, como queda de objetos, arrastar móveis, passos, etc.

Figura 3: Transmissão de Ruído de Impacto.
Fonte: Manual de Recomendações Básicas para Contrapisos Flutuantes da ProAcústica

A transmissão de ruído aéreo entre duas unidades habitacionais sobrepostas em uma edificação se produz através do próprio sistema de piso (transmissão direta) e dos elementos laterais ou paredes (transmissão indireta). Essas transmissões dependem das propriedades das soluções construtivas e das uniões entre elas.

Sua propagação é resultante de uma pressão sonora produzida no ar, como sons de conversas, TV, música, dentre outras, sendo que esta energia sonora colide com os elementos construtivos fazendo-os vibrar e por consequência a condução pelas estruturas sólidas.

Figura 4: Transmissão de Ruído Aéreo.
Fonte: Manual de Recomendações Básicas para Contrapisos Flutuantes da ProAcústica

Qual o mecanismo de controle mais adequado?

O contrapiso flutuante é o método mais efetivo para isolamento ao ruído de impacto, porém tendo pouco efeito no isolamento ao ruído aéreo.

É um sistema construtivo composto por um elemento rígido, como um contrapiso ou um tablado, sobre um material resiliente, que pode ser composto por mantas, emulsões, etc., que o desvincula dos elementos estruturais e de vedação do edifício.

Figura 5: Contrapiso flutuante sobre a laje.
Fonte: Manual de Recomendações Básicas para Contrapisos Flutuantes da ProAcústica

Resiliência é uma propriedade física de um material de retornar a sua forma original após ter sido submetido a uma deformação elástica. A composição dos materiais resilientes usuais de mercado são: borracha reciclada de pneu, cortiça, emulsões asfálticas, espuma de polietileno, lã mineral, lã de pet, mantas elastoméricas, sistemas mistos, etc.

Para isolamento acústico em situações especiais, com necessidade de alto desempenho, como teatros, equipamentos sobre áreas sensíveis, laboratórios, etc., podem ser necessários dispositivos antivibratórios em molas de aço ou elastoméricos, associados ou não a contrapisos flutuantes.

Como calcular o desempenho a ser obtido?

Os fabricantes devem ter seus produtos caracterizados em laboratório, obtendo assim o valor ΔLw que corresponde a redução sonora de impacto do respectivo material resiliente.

De posse deste valor de redução, deve ser feito um cálculo do desempenho estimado para o futuro edifício de acordo com o sistema que estará sendo inserido, podendo ser por meio de softwares de simulação acústica de acordo com a norma internacional ISO 12354-2:2017, desenvolvida especialmente para esse fim.

Diversos aspectos construtivos influenciam decisivamente no resultado final do desempenho acústico, pois dependem das propriedades dos sistemas construtivos, das uniões e massas superficiais e volumetria dos recintos.

Nas figuras abaixo, pode-se observar desempenhos distintos do índice de campo (L’nT,w) quando se alteram volumes e tipos de vedações verticais, concluindo que não existe uma “receita de bolo” para todas as construções.

Figura 6: Vedações verticais e lajes iguais, volumes diferentes.
Fonte: Manual de Recomendações Básicas para Contrapisos Flutuantes da ProAcústica

Figura 7: Volumes e lajes iguais, vedações verticais diferentes.
Fonte: Manual de Recomendações Básicas para Contrapisos Flutuantes da ProAcústica

Como ter um norte para as soluções que precisam ser adotadas?

O projeto deve levar em conta o nível de desempenho de acordo com a ABNT NBR 15575:2013 (Mínimo, Intermediário ou Superior), sendo:

Figura 8: Recomendações de soluções para atender aos desempenhos.
Fonte: Manual de Recomendações Básicas para Contrapisos Flutuantes da ProAcústica

Quais os requisitos e critérios normativos preciso atender?

A norma recomenda desempenhos diferentes quando se trata do ruído de impacto entre unidades habitacionais distintas e entre áreas de uso coletivo e unidades habitacionais, sendo:

Como deve ser realizada a avaliação em obra?

A metodologia para avaliar o atendimento dos limites de desempenho de isolamento ao ruído de impacto consiste em medições acústicas conforme procedimentos padronizados e especificados em normas internacionais.

A norma de desempenho permite a realização das medições por dois métodos, com procedimentos diferentes: engenharia e controle. A precisão do método de controle é inferior, com maiores incertezas nos resultados, que podem conflitar na hora de avaliar o atendimento à norma. Recomenda-se, por esta razão, a realização das medições pelo método de engenharia.

A metodologia de medição está descrita pela norma ISO 16283-2:2018 e baseia-se na emissão de ruído de impacto através de uma máquina de impactos padronizada no recinto superior (emissor), e na medição do nível de pressão sonora em bandas de frequência (1/3) no recinto subjacente (receptor) por meio do sonômetro.

Os níveis registrados em campo passam por uma etapa de pós-processamento, segundo as condições acústicas do recinto receptor obtidas pela medição do tempo de reverberação e ruído de fundo.

Se obtém portanto, o Nível de Pressão Sonora de Impacto Padrão Ponderado (L’nT,w) sendo este um número único convertido através da ISO 717-2:2013, que é o valor comparável com os níveis de desempenho da NBR 15575-3.

Abaixo, as fotos representam o recinto emissor e receptor:

Figura 9: Tapping Machine e Sonômetro.
Fonte: Ensaios Scala Acústica

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